O património arqueológico e histórico de Portugal é rico e diverso, e está espalhado por todo o território. Se é certo que não temos grandes pirâmides ou espaços monumentais, posso garantir-vos que vestígios do nosso passado não nos faltam e que estão por aí, bem debaixo dos vossos pés. Apesar de não terem uma dimensão monumental, têm muito para contar sobre os nossos antepassados.

 Por este espaço a que agora chamamos Portugal passaram gentes e culturas de toda a parte: das comunidades agro-pastoris de há milhares de anos atrás, que viviam em simples cabanas e se dedicavam à terra, a populações vindas do Mediterrâneo Oriental, à grande conquista Romana, até à conquista Muçulmana, à reconquista do território pelos cristãos e formação do Reino, a Monarquia, a República, o Estado-Novo e tudo o que aconteceu desde a Revolução dos Cravos. Consegui fazer-vos sentir pequenos nesta grande história do nosso território? Óptimo, a ideia era essa. Agora viagem comigo por ela.

 

1. Claustro da Sé de Lisboa

 

   Lisboa é como um mil-folhas: camada a camada, a cidade foi-se formando, com novos espaços que se sobrepõem a outros até chegarmos à cidade actual. Na Sé de Lisboa este dado torna-se óbvio: do século VI antes de Cristo, momento em que os fenícios navegaram pelo Mediterrâneo até ao Ocidente, passando pela época romana e pela conquista islâmica até aos dias de hoje, tudo se torna claro neste emaranhado de vestígios sobrepostos: uma cidade rica, carregada de história e vestígios por descobrir.

Entrada: de 2ª a Sábado, das 9-19h. Custo: 2€. Localização: aqui. O acesso é feito pelo Largo da Sé, em plena baixa Lisboeta.

 
 
2. Castelo de São Jorge

 

   O Castelo de São Jorge, localizado no ponto mais alto da cidade antiga, viu ocupação desde a Pré-História até ao período Moderno. Tal como a Sé, desde o primeiro milénio antes de Cristo que gentes decidiram ocupar aquele espaço, fazer dele o seu lar, os seus espaços de ofício, a sua vida. Os vestígios que hoje em dia sobressaem são relativos a uma zona residencial de época islâmica, mas as escavações que decorreram no castelo contam uma história muito maior, que se reflecte nos vários artefactos expostos no museu.

Entrada: das 9h às 18h (de Março a Outubro o horário prolonga-se até às 21h). Custo: 8,5€ normal, 5€ estudantes. Localização: aqui. O acesso é feito através do Castelo e pode ser feito de transportes (autocarro 37, eléctrico 28 ou 12 com saída no Miradouro de Santa Luzia) ou a pé.

 
 
3. Teatro Romano de Lisboa
 
  O Teatro Romano de Lisboa, bem no centro da cidade, era um dos mais importantes equipamentos públicos da cidade romana Felicitas Iulia Olisipo. Construído no século I d.C., na época do Imperador Augusto, outrora seria um monumento de forte impacto visual para quem chegava à cidade. Da tragédia à comédia, por lá terão passado inúmeras encenações de peças gregas e romanas. Foi abandonado no séc. IV d.C. e desde aí que não voltou a ser utilizado – até 2016, ano em que  o teatro clássico voltou ao local que é seu por direito.

Entrada: de terça a domingo, das 10-18h. Custo: 1,5€ (inclui entrada no museu e ruínas). Localização: aqui. Acesso: a pé, pelo lado esquerdo da Sé (R. Augusto Rosa) e invertendo pela R. da Saudade até ao n.º3 da Rua de São Mamede.

 
 
4. Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros

No Núcleo da Rua dos Correeiros é novamente perceptível a antiguidade e dinâmica que a cidade de Lisboa teve ao longo dos tempos. Com vestígios que remontam ao primeiro milénio a.C., este espaço serviu de zona industrial, de apoio às actividades portuárias e até de cemitério. Durante a época romana foi uma importante zona de preparação de preparados piscícolas, muito consumidos em época romana. Das casas do primeiro milénio a.C. aos tanques de produção dos preparados a um fantástico mosaico romano, este sítio escondido na base da sede do Millenium BCP tem uma longa história para contar.
Entrada: gratuita, de segunda a sábado, das 10h às 12h e das 14h às 17h, através de visita diária com duração de uma hora. Localização: aqui. Acesso: através do n.º 21 da Rua dos Correeiros.

5. Galerias Romanas da Rua da Prata

O solo da baixa lisboeta esconde uma impressionante estrutura de época romana – o criptopórtico -, constituído por um complexo de galerias subterrâneas ortogonais que permitiam a construção num terreno instável, como é o da Baixa de Lisboa. Era portanto a base de grandes construções, cujos vestígios não resistiram ao passar do tempo e ao desenvolvimento da cidade. Desconhece-se a extensão total destas galerias, tal como que edifícios sustentariam, estando a investigação arqueológica ainda em curso.
Entrada: gratuita e com marcação prévia – contactos aqui -, uma ou duas vezes por ano (normalmente em Abril e/ou Setembro). Localização: aqui. Acesso: junto ao n.º 77 da Rua da Conceição.

 
 
6. Muralha de D. Dinis
  Durante as obras de remodelação do Banco de Portugal, entre 2010 e 2013, foi descoberto um troço da muralha defensiva mandada construir pelo rei D. Dinis (1279-1325) por receio de uma nova investida moura. Este é o perfeito exemplo de como a maioria dos vestígios arqueológicos em Lisboa são descobertos: através de obras de requalificação e/ou reconstrução de espaços, a Lisboa antiga emerge para contar a sua história. Este espaço, onde agora também encontramos o Museu do Dinheiro, tal como a antiga Igreja de S. Julião, é de visita obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da Lisboa medieval.

Entrada: gratuita e livre, de quarta a sábado entre as 10h e as 18h. Localização: aqui. Acesso: no edifício do Banco de Portugal, através do Largo de São Julião – junto à Praça do Município.

7. Povoado de Leceia

 

  É tempo de recuar até um passado mais longínquo e ir até Oeiras, onde se encontra o Povoado Fortificado de Leceia. Extremamente bem conservado, este grande povoado pré-histórico remonta aos 4º e 3º milénios a.C. e tem três linhas de muralhas, bem como várias habitações de planta circular, onde a comunidade viveu. Com a base em pedra, a restante estrutura da casa seria em materiais vegetais (canas, ramos, etc) que não sobrevivem ao passar do tempo. A comunidade que aqui viveu dedicava-se à pesca, caça e agricultura – e uma visita a este sítio recorda-nos de que somos apenas um pedaço de uma longa história.
Entrada: gratuita e com marcação prévia – contactos aqui. Localização: aqui. Acesso: de carro, pela A5 ou pela N117 até Barcarena (Oeiras) e entrada pela Rua 7 de Junho.

 

8. Necrópole de Carenque

A necrópole de Carenque é um sítio arqueológico igualmente antigo, do 4º e 3º milénio a.C., onde encontramos três grutas onde na Pré-História foram sepultadas dezenas (ou centenas) de pessoas. São grutas artificiais, ou seja, escavadas pelo Homem propositadamente para o efeito, havendo muitos outros exemplos semelhantes, como a Quinta do Anjo, em Palmela, ou as grutas da Alapraia, e de São Pedro do Estoril, ambas em Cascais.
Entrada: o Centro Interpretativo é de visita livre e gratuita, sábado e domingo entre as 10-16h (Inverno) ou as 10-13h e 15-18h (Verão). Localização: aqui. Acesso: pelo IC16 para a Av. Pedro Álvares Cabral na Amadora ou pela N117 para a Estrada Cabos d’Ávila, seguir para a Av. Conde Castro Guimarães e finalmente  Av. Pedro Álvares Cabral.
 
 
9. Ruínas de São Miguel de Odrinhas
 
  Em São Miguel de Odrinhas encontramos vestígios do que em tempos foi uma villa de época romana (grandes casas rurais de famílias abastadas, onde essencialmente se desenvolviam actividades agrícolas) e uma necrópole (ou cemitério) da mesma época. No sítio podemos ver as antigas casas e um mosaico pavimento em mosaico romano, tal como uma abside que terá sido reutilizada em período visigótico ou islâmico. Preservam-se ainda um grande conjunto de sepulturas medievais cristãs, que datam de momentos posteriores à Reconquista Cristã.

Entrada: livre ou integrada na visita guiada ao Museu de São Miguel de Odrinhas (com custo de 2€, de terça a sábado das 10-13h e das 14-18h). Localização: aqui. Acesso: a partir da N247, virar em direcção ao Funchal/Barreira pela Av. Professor Dr. Dom Fernando de Almeida e seguir a sinalização das ruínas.

10. Rota Histórica das Linhas de Torres

 

Espalhados por várias zonas da Península de Lisboa – Mafra, Torres Vedras, Arruda dos Vinhos, Loures, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira -, estas obras militares recentemente recuperadas marcam um importante momento da História e Portugal. Foram construídos entre 1808 e 1810, no contexto das Invasões Francesas a Portugal, em completo segredo. O complexo sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, cuja importância é internacionalmente reconhecida, é composto por 3 linhas de torres a Norte do Tejo e uma a Sul. Construída por militares e camponeses, os redutos militares vão desde grandes fortes a pequenos moinhos de vento, adaptados para o efeito. O resultado? A derrota francesa e o fim das guerras napoleónicas. Alguns dos exemplos visitáveis são o Forte do Arpim (Loures), o Forte da Feira (Mafra), o Reduto de Ribas ou o Reduto do Mosqueiro (ambos em Loures).
Entrada: livre e gratuita ou com marcação prévia. Mais informações: Centro de Interpretação das Linhas de Torres e sites das câmaras referidas.
 

 

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