O Chile rouba-nos o coração à primeira vista. A paisagem árida e os tons vermelhos do deserto do Atacama, o mais seco do mundo, contrastam com a energia e animação de San Pedro e levam-nos a desejar adiar indefinidamente a partida, ir ficando por ali e explorar todos os recantos possíveis. Quando a viagem parecia estar a chegar ao fim e se instalava a ideia de que o melhor já tinha acontecido, o Atacama surpreendeu e arrebatou-nos o coração, acendeu a vontade de prolongar a viagem e rumar Chile adentro.
 

  Foi logo no primeiro dia em Atacama que nos desafiaram a conhecer o Valle de la Luna, a 19km de San Pedro. Pelo meio da tarde a calle Toconao enche-se de grandes grupos que ansiosamente aguardam o início da tour. Todas saem à mesma hora – pelas quatro da tarde – e o percurso é praticamente idêntico. Optámos pela agência Terra Extreme – e não poderíamos ter escolhido melhor. O guia, um senhor divertido, com a energia de uma criança e um conhecimento assombroso do Atacama, conseguiu a atenção do sobrelotado autocarro logo nos primeiros momentos. Mesmo cansados, acabados de chegar da tour de três dias pelo Salar de Uyuni na Bolívia, a forma entusiasmada como falava do deserto fez-nos esperar o melhor e conseguir energia para as três horas seguintes.

 

A primeira paragem foi nas Cuevas de Sal, um estreito desfiladeiro esculpido por um antigo rio que passava na zona e que termina numa gruta. Desde já se pode fazer uma advertência aos claustrofóbicos: o desfiladeiro é bem estreito, com nenhuma saída a não ser aquelas por onde se entra e se sai, e vai ficando cada vez mais fechado, sendo pouco aconselhável aos mais sensíveis. Termina numa gruta, que nos obriga a ligar as lanternas e a quase rastejar, à qual se segue uma pequena escalada, fácil de fazer com alguma ajuda, que termina numa deslumbrante vista sobre o deserto. Para além das formações rochosas, que impressionam qualquer um, dentro da gruta podem ver-se os cristais de sal gema aproximando a lanterna das paredes.
 

 
  A paragem seguinte é junto à Duna Grande, onde subimos a uma zona com uma vista fabulosa sobre o Valle de la Luna, a Grande Duna e o Anfiteatro, uma formação rochosa que se vê ao longe e faz lembrar um coliseu ou teatro romano. Ao longe avista-se o vulcão Licanbur, que separa o Chile da Bolívia e se impõem no horizonte. São quase 6000 metros de montanha, no topo da qual se encontra uma impressionante cratera de cerca de 400 metros, que pode ser visitada contratando um guia no abrigo da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa – poucos quilómetros depois da fronteira entre o Chile e a Bolívia -, ou mesmo em San Pedro de Atacama.
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
  Rumando contra o tempo, já que era importante chegar ao miradouro a tempo para poder ver o pôr do sol, fizemos uma breve paragem no monumento das Tres Marias, uma formação rochosa que se assemelha à imagem de três mulheres suplicando ou chorando. Para que possam visualizar as mulheres, lembrei-me de uma escultura que se assemelha à formação e que se encontra na praia de Matosinhos, em Portugal – e podem ver aqui. Junto a elas há mais uma pequena formação, que lembra a cabeça de um dinossauro emergindo da terra.
 
 
 
 
 
  E é chegada a hora: alcançámos a Pedra de Coyote e o miradouro a tempo de ver o pôr-do-sol. Lá, dezenas de autocarros esperam as centenas de pessoas que ansiosamente aguardam o momento em que o sol desaparece no horizonte, enquanto aproveitam para tirar fotografias com a deslumbrante paisagem. As cores do deserto ficam mais belas nesta hora do dia: os vermelhos contrastam com o branco do sal, as curvas do terreno sobressaem e no horizonte pousa uma neblina, através da qual ainda podemos ver o vulcão e as restantes montanhas que circundam San Pedro de Atacama. E assim terminou um dos melhores dias da nossa viagem.
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Informações úteis

 
 
 Em San Pedro de Atacama encontram dezenas de agências com quem podem fazer várias tours – particularmente na calle Caracoles e na calle Toconao. Não precisam de reservar com antecedência já que até à hora de almoço do próprio dia vão encontrar sempre disponibilidade. O valor deste passeio pode variar entre os 5000 e os 20000 chilenos, dura três a quatro horas e os percursos não variam muito entre agências, podendo alterar a ordem dos sítios visitados. A este vaor acresce o ingresso na Reserva Nacional Los Flamencos, que é cerca de 2000 chilenos. Aconselho vivamente a Terra Extreme, com preços razoáveis – não eram nem os mais caros, nem os mais baratos -, um guia excelente e vários passeios disponíveis.

 

 
 O deserto do Atacama é muito seco e a uma altitude considerável (cerca de 2400 metros de altitude junto a San Pedro), pelo que o vosso corpo vai pedir imensa água. Levem pelo menos 2 litros por pessoa – acreditem que, apesar de ser uma tour de 3 horas, o vosso corpo vai precisar.

 

 

 Levar um chapéu, roupa confortável para caminhar e uma lanterna é essencial neste percurso. Além do mais, aconselho a levar uma mochila o mais pequena possível, apenas com as águas e um casaco para o entardecer.

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