Chegámos a Uyuni de manhã bem cedo, depois de umas longas 11 horas de viagem pela Bolívia. A viagem que percorre a Bolívia desde a capital até aqui é feita de noite, mas nem por isso é mais simples: as estradas de terra batida fazem com que os solavancos constantes não nos deixem dormir, e as paragens súbitas no meio do nada também não contribuem para um bom descanso (lemos demasiadas histórias de condutores impróprios e viagens com um final nada feliz para estarmos plenamente descansados). Tal como em todas as viagens de autocarro que fizemos naquele longo mês de Setembro, o nervoso miudinho esteve sempre presente. Quando enfim avistei Uyuni ao fundo respirei fundo: tinha chegado ao fim mais uma nada desejada viagem de autocarro.

 
 
O plano estava estudado. Horas de pesquisa sobre a melhor companhia para fazer a tour pelo Uyuni – que é como quem diz, aquela com um preço razoável e cuja reputação não se revelasse péssima (algo que, digo-vos, é francamente difícil de encontrar por aquelas bandas) -, deixou-me com poucas hipóteses e praticamente decidida quanto à companhia que iria escolher. Saímos do autocarro e, de passo apressado, seguimos directos ao gabinete da companhia, comprámos a tour e ainda nos sobraram umas duas horas por preencher, que aproveitámos para conhecer Uyuni.

 

 
  Às 10h horas estava o grupo reunido junto ao jipe e as mochilas a serem completamente esborrachadas no seu topo. A primeira paragem seria o Cemitério de Comboios, um local onde foram despojados os restos de antigas locomotivas, últimos vestígios da Bolívia do século XIX, quando se sonhou ligar todo o país através de carris. A extensão do sítio é de perder de vista, confundindo-se com a paisagem árida que lhe serve de pano de fundo. A paragem para fotografias é obrigatória em quase todas as tours, pelo que pouco depois das 10h se acumulam viajantes, numa quase fila de espera, ansiosos para que chegue o seu momento com a locomotiva abandonada.

 

 
 
 

 

A paragem seguinte é um pequeno mercado, onde se pára com o pretexto de se ver como é extraído e tratado o sal, mas onde na verdade esperam que nos deliciemos com o artesanato. Já de mochila cheia e sem espaço para mais, aguardámos junto ao jipe, sem sequer ponderar mexer na carteira. Sobre o sal do Uyuni escutámos uma apressada apresentação, dada por um humilde senhor em troca de uma pequena contribuição – e ainda levámos um pequeno saco de sal vindo directamente do Salar Uyuni, que guardámos religiosamente durante toda a viagem.

 

 

Era hora de seguir finalmente pelo Salar adentro. Mal parámos junto ao grande monumento do Dakar o entusiasmo era latente: lá fora já se avistavam grupos animados, passando por todo o catálogo de fotografias em perspectivas típicas do Salar Uyuni. Mas para o nosso guia ainda não era tempo de diversão – e, nesta coisa das tours, o guia é quem manda: primeiro almoçaríamos, só depois teríamos tempo para as fotografias. E assim o grupo se sentou a almoçar, deambulando entre a confusão e o desapontamento por não ter tido tempo de produzir as tão sonhadas obras de arte. Mal sabíamos nós que o nosso guia – o mítico Edinson, um rapaz novo de poucas palavras e ar carrancudo – se preparava para nos levar a um sítio ainda mais espectacular, onde esgotámos a «check-list Salar Uyuni»: com o dinossauro, a banana, a mochila e todas as perspectivas possíveis e imagináveis.

 

A última paragem é uma opção e, em retrospectiva, questiono-me se vale realmente a pena. Mas já que já lá estávamos, lá desembolsámos um pouco mais para poder conhecer a Isla Incahuasi, também conhecida como Isla del Pescado, nome que deve à sua forma. É uma pequena ilha recheada de milhares de cactos, que se entrelaçam com estranhas formações de coral que resistiram ao tempo e nos recordam de uma Era anterior ao Salar, em que tudo se cobria de água e, em vez de um deserto de sal, havia um gigante lago.

O dia terminou depois de um longo percurso de jipe rumo a San Pedro de Quemes, onde ficava o hotel de sal que, não se deixem enganar – de sal tinha muito mas, de hotel, muito pouco.

 
 
 
 
 
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