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A povoação mais próxima do Machu Picchu é Aguas Calientes, um pueblo junto ao rio Urubamba. Encontra-se exactamente na base da montanha onde se ergue o Machu Picchu e está completamente dedicada a receber todo o turismo do sítio arqueológico. Existem várias formas de chegar a Aguas Calientes (algo de que falarei num próximo post), mas hoje conto-vos como foi a minha pequena aventura até lá.

Tínhamos duas limitações principais: falta de tempo e pouco dinheiro. Não podíamos fazer nenhum dos percursos de 4 dias de caminhada (ainda que adorasse a ideia), nem entrar num comboio desde Cusco e pagar cerca de 100 dólares por cada viagem. Tendo em conta isto, enquanto passeávamos por Cusco, entrámos em todos os sítios que tinham ofertas de transporte até ao Machu Picchu, até encontrarmos o ideal. Excepto se a intenção for ir de comboio, caso em que convém marcar com alguma antecedência, o ideal é organizar a ida até Machu Picchu apenas quando já se está em Cusco, visto que a oferta é muita.

Depois de muita procura, optámos então por marcar lugares numa carrinha que faria a ligação entre Cusco e a Hidroeléctrica. Comprámos através da Peru Inkas Travel, por 40 soles cada viagem (cerca de 11€), mas existem várias agências a fazer o mesmo por valores semelhantes. Esta agência localizava-se exactamente na mesma rua em que se compram os bilhetes para o Machu Picchu pelo que, logo que marcámos o transporte, corremos para a fila dos bilhetes para o sítio arqueológico!

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Na carrinha até à hidroeléctrica

O dia anunciava-se longo: tínhamos de estar às 7h30 na Plaza Mayor de Cusco. Em cerca de 7/8 horas de viagem, teríamos apenas duas paragens: uma a meio da manhã e outra pela hora do almoço. Depois de darmos a corrida nas nossas vidas, já que saímos do hostel muito em cima da hora – típico! -, percebemos que tínhamos sido dos primeiros a chegar. A carrinha que nos levaria até à Hidroeléctrica era simples mas suficientemente confortável, e connosco seguiam essencialmente viajantes jovens, não fosse esta uma das opções mais baratas para chegar ao Machu Picchu.

Até à hora de almoço o percurso foi bastante calmo e essencialmente por estradas alcatroadas. A partir de Huadquiña, a regra era só uma: não olhar pela janela. Há um momento em que a viagem passa a ser feita por estradas muito estreitas, sem qualquer protecção que impeça a carrinha de, ao mínimo deslize, cair pela ribanceira a baixo. Mesmo sabendo que isto podia acontecer, fiz questão de me sentar junto à janela – e não imaginam a quantidade de vezes que olhei pela janela e senti um aperto no estômago por não ver estrada junto à carrinha.

A paisagem, no entanto, compensa tudo. O percurso é feito entre montanhas, que no seu topo conservam vestígios de neve. Ao nosso lado, lá bem em baixo, segue o rio Urubamba, cujo vale forma uma via de comunicação natural e é um autêntico guia para o caminho.

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Caminhada da hidroeléctrica a Aguas Calientes

São cerca de 10km entre a hidroeléctrica e Aguas Calientes e, dado que o sol se punha pelas 18h, tínhamos menos de duas horas para fazer o percurso. É necessário ganhar algum ritmo para chegar a Aguas Calientes ainda com luz mas, como o percurso é plano, torna-se fácil de fazer.

Foram os 10km mais espectaculares que já fiz. O percurso continua a acompanhar o vale do rio Urubamba e estamos rodeados de montanhas e vegetação alta, densa e verde, de uma beleza indescritível. Torna-se ainda mais espectacular quando, no dia seguinte, já no Machu Picchu, nos apercebemos que a caminhada foi feita em redor da montanha em que se ergue a antiga cidade, e que mal nos tínhamos apercebido disso – o sítio é completamente invisível de quem olha desde o rio. Além dos inúmeros mosquitos tentados a atacar pelo caminho – aqueles que não utilizam repelente chegam carregados (mesmo carregados) de picadas! -, nada perturba a caminhada. E por nós passavam, de quando em vez, alguns locais, com um ritmo impressionante, de quem está acostumado a fazer aquela caminhada todos os dias.

Um dos momentos mais célebres deste percurso é aquele em que o comboio passa ao lado dos que caminham, sempre apitando, e os que lá estão dentro acenam alegremente (e nada cansados, pois claro). Cá fora todos param para o vídeo ou fotografia, registando um momento pelo qual já esperavam. Mas não se deixem enganar: o percurso é seguro, tem espaço suficiente para todos (caminhantes e comboio), e a locomotiva passa bem devagar, não dando oportunidade para qualquer acidente.

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E o regresso

Estas companhias oferecem também o regresso desde a hidroeléctrica. Se pretendermos fazer a ida e volta em dois dias, os horários são apertados, já que é necessário estar pelas 13h novamente junto à hidroeléctrica. Isto significa que tem de se sair do Machu Picchu ainda antes do meio dia, para haver tempo de fazer a caminhada de regresso.

O ideal é então ficar duas noites em Aguas Calientes, aproveitar um dia inteiro em Machu Pichu, descansar um pouco na manhã do terceiro dia e regressar, com calma. Havendo pouco tempo mas uma grande vontade de aproveitar todo o dia no sítio arqueológico – algo que vale muito a pena -, então o melhor será regressar de comboio, que parte entre as 16h e as 17h de Aguas Calientes. Se é certo que o investimento é (muito) maior, quando o programa de viagem é ambicioso então as alternativas são poucas. E, na verdade, não é todos os dias que se tem o privilégio de ir ao Machu Picchu!

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