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Depois de três agitados dias em Lima, chegámos a Cusco já a noite tinha caído. Era uma das cidades que mais ansiava conhecer. Centro do poder Inca, o grande império da América do Sul que se estendeu desde o Equador até ao Chile, Cusco é o espelho dessa tão bela civilização que floresceu e nos deixou alguns dos mais extraordinários vestígios arqueológicos do mundo – sendo Machu Picchu o mais completo exemplo.

(+) De Cusco a Aguas Calientes – como chegar ao Machu Picchu de forma económica
(+) Machu Picchu em fotografias – uma homenagem ao sonho

Não acredito que seja necessário um roteiro para conhecer Cusco: apenas são necessários vários dias, um espírito aberto, muita vontade de caminhar e coragem para superar os sintomas provocados pelos efeitos da altitude. Sim, a altitude sente-se. Se é verdade que nada notámos ao chegar, à excepção de um cansaço acrescido ao caminhar com as mochilas, também não escondo que na primeira manhã acordei com a sensação de que a cabeça ia explodir. Uma quase insuportável pressão na cabeça e um enjoo que levou a que o pequeno-almoço aguentasse poucos minutos no estômago fizeram com que me rendesse e apenas descansasse nessa manhã. Algumas horas de repouso e um chá de coca ajudaram-me a vencer os efeitos da altitude e, pelo início da tarde, já percorria as ruas de Cusco.

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A prioridade no primeiro dia foi organizar a viagem até ao Machu Picchu, algo que todos os que – como nós – partem sem nada organizado devem fazer. Já escrevi num outro post sobre a organização da ida até à grande montanha velha, um dos momentos mais extraordinários desta viagem. Apesar das muitas voltas e indecisões, ainda houve tempo para explorar o centro da cidade, a esplêndida Plaza de Armas ou Plaza Mayor de Cusco com a sua Igreja e Catedral.

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No centro da praça sobressai a imagem de Pachacuti, o nono inca, que transformou Cusco num verdadeiro centro erguendo diversas construções durante o século XV. Consta que foi também ele o responsável pela construção do Machu Picchu, revelando-se um dos mais importantes governadores incas, que transformou o império e lhe conferiu a grandiosidade que lhe reconhecemos hoje. Passei por esta praça vezes sem conta e voltaria muitas mais. De manhã à noite, a vida não parava: aqui, nos poucos dias que estive em Cusco, encontrei manifestações, ensaios de dança, viajantes deslumbrados e cusquenhos no seu dia-a-dia.

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Os dias que se seguiram, já sem o peso dos efeitos da altitude, foram dedicados a conhecer as várias zonas de Cusco. O dinâmico e colorido bairro de San Blas, onde se encontram centenas de lojas de artesanato, ruelas bonitas e pequenas que se entrelaçam umas com as outras até à praça e igreja centrais, bem como o espectacular miradouro sobre toda a cidade – todas razões são válidas para enfrentar o cansaço das subidas e explorar San Blas. Também não faltou uma ida ao lado oposto da cidade, onde se encontra o conhecido Mercado Central de San Pedro que, além do artesanato, tem todos os produtos consumidos pelos locais.

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Entre os vários museus da cidade, o Museu Inka e o Museu de Arte Precolombino eram os que mais queria conhecer. As fotografias são poucas porque a arqueologia era muita – e aí, admito, a profissão superou a vontade de registar o que via. Mas ambos levam o visitante a conhecer mais da história desta cidade e das civilizações que se desenvolveram na América do Sul desde os tempos mais remotos, bem como a perceber melhor as tradições e costumes peruanos. No pátio do Museu Inka, durante o dia, é ainda possível observar duas senhoras a tecer maravilhosos têxteis com todas as cores que povoam os trajes peruanos.

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Além de explorar a cidade e subir a Saqsaywamán, fortaleza inca no topo da cidade de Cusco, são muitas as tours pelo vale sagrado que se podem fazer, de duração variável, que passam pelas mais belas e antigas cidades do Vale dos Incas, das quais se destacam Pisac, Ollantaytambo, Maras e Moray. Como não sou a maior apreciadora de tours turísticas e estava com um orçamento limitado, acabei por não conhecer todas estas maravilhas em redor de Cusco. Por outro lado, tive muito mais tempo para explorar a cidade que se revelou um dos mais belos sítios que conheci até hoje.

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Como chegar a Cusco

Dependendo de onde partes, as soluções são diferentes. De Lima, o ideal é ir de avião, já que a viagem é curta e de preço acessível. A Latam é a companhia que mais voos e destinos tem no Peru, existindo também a Star Perú – em que nunca voei. De outras cidades do Peru, particularmente a sul de Cusco, o ideal será ir de autocarro.  A Perubus e a Inka Express têm vários percursos desde e para Cusco. Evita a companhia Titicaca e a Flores, sobre as quais é fácil encontrar péssimas (mesmo péssimas) opiniões. Se utilizarem autocarros, é preferível que marquem tudo lá e esqueçam as reservas pela internet.

Onde ficar em Cusco

É tão fácil encontrar hospedagem económica em Cusco que é desnecessário listar sítios. Fiquei no Hostal Umiña Cusco e adorei. Tem uma extraordinária vista sobre a cidade, os quartos são confortáveis, o pequeno-almoço é bem completo e bom, o staff super simpático (até deixámos lá as mochilas quando fomos ao Machu Picchu, sem qualquer problema), tem cozinha equipada e é sossegado. Mas existem tantas outras opções e maioritariamente tão acessíveis que não terão problemas em encontrar um sítio onde ficar. Sigam as sugestões que vos dei no post sobre encontrar alojamento barato no Booking e não se esqueçam de reservar pela caixa de pesquisa do blog – vocês gastam exactamente o mesmo e ainda apoiam o Aonde (não) estou!

 

 
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