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Se Bruges foi a cidade que me conquistou por completo, Gent foi porventura a que mais me surpreendeu. A verdade é que no final de 2016, aquando da minha curta passagem de 9 dias pela Bélgica, nada me faria crer que encontraria em Gent um centro histórico vivo e bem conservado, onde a época medieval e a contemporaneidade se fundem de forma sublime.

Cidade jovem, algo que deve à Universidade que se espalha por vários edifícios do seu Centro Histórico, Gent é também uma cidade com uma grande história, marcada sobretudo pelos actos de rebeldia e afirmação da sua população ao longo da Idade Média.

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De St-Baafsplein a St-Michielsplein: o centro de Gent

No centro da cidade destacam-se três torres: a da catedral de St-Baaf, o campanário (Belfort) e a da igreja de St-Nikklaa. A partir da ponte de St. Michiel tem-se a melhor vista da proclamada “Manhattan da Idade Média”: de um lado, as três torres, construídas entre os séculos X e XIV, a compor uma skyline medieval no centro desta cidade dinâmica e plenamente actual; seguindo o rio Leie (ou Lys), em primeiro plano, as ruas Graslei e Korenlei e as memórias do antigo porto e, ao fundo, o topo de Gravensteen, o castelo; por fim, do outro lado da ponte, está a igreja de St. Michiel.

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Percorrendo as ruas entre St. Michielsplein e St. Baafsplein, surgem os primeiros vestígios desta feliz conjugação entre um passado rico e um presente bem vivo. Na sombra da Igreja de St. Niklaas, dos Paços do Município e do campanário (Belfort), este último erguido durante a Idade Média como símbolo do poder da cidade, encontramos o Stadshal, um enorme pavilhão construído em 2012 que gerou grande controvérsia, particularmente pelo traçado contemporâneo da sua arquitectura.

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Mais alguns passos e encontramos o Geeraard de Duivelsteen (traduzido livremente: castelo de Geeraard, o diabo), um forte do século XIII que deve o seu nome à aparência do cavaleiro Geeraard Vilain. Ao longo dos séculos este imponente edifício foi utilizado como residência de cavaleiros, mosteiro, seminário, hospital psiquiátrico e até como prisão.

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St. Jacobskerk, Vrijdagmarkt e a história política de Gent

Seguindo junto ao canal Nederschelde, passando pela St. Jacobsniewstraat e a igreja de St. Jacobs, chegamos à Vrijdagmarkt, praça que marcou um papel central na história político-social de Gent. Além das várias revoltas populares, até 1822 era aqui que se realizavam as execuções públicas.

Como uma das primeiras cidades industrializadas da Europa, Gent viu nascer no final do séc. XIX confederações de trabalhadores, sindicatos e o primeiro fundo de seguro de saúde direccionado para a classe trabalhadora, cuja sede se estabeleceu no edifício Ons Huis. A par do extraordinário Vooruit (um pouco desviado desta zona), era aqui que se reuniam os movimentos socialistas, o que tornou este um dos edifícios emblemáticos da história recente de Gent.

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Do castelo medieval à rua dos graffitis

Atravessando o rio Lys começamos a avistar o Castelo dos Condes (Gravensteen), a única fortaleza medieval da Flandres que mantém o sistema defensivo praticamente intacto. Com uma arquitectura imponente, que representa a afirmação do poder dos condes numa Gent bastante instável, esta fortaleza de pedra é rodeada por 24 torres de vigia unidas por uma monumental muralha. Ao longo dos séculos teve várias utilizações: foi tribunal, uma prisão e até serviu de complexo industrial. Actualmente, no seu interior, existe uma exposição sobre armaduras e métodos de tortura medieval.

Bem perto desta fortaleza medieval encontra-se a Werregarenstraat, mais conhecida como “rua dos grafitis”. Quando estive em Gent por alguma razão a rua não estava acessível, pelo que tive de entrar por um bonito pátio adjacente, a partir do qual pude vislumbrar a rua de paredes preenchidas de cor.

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De regresso ao centro: entre mercados e ruas iluminadas

De regresso ao centro da cidade, é tempo de apreciar as luzes a acenderem-se enquanto a noite cai e o mercado de Natal se enche de gente que, a partir do fim da tarde e até ao fim da noite, se reúne para um copo, um doce e uma boa dose de convívio.

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 Guia prático

Como chegar a Gent?

Gent fica a cerca de meia hora de comboio de Bruxelas pelo que podem perfeitamente fazer um “bate-e-volta” de um dia a partir da capital. A Bélgica tem um espectacular sistema de comboios que une as principais cidades e a frequência diária permite facilmente organizar passeios de um dia. Os horários encontram-se todos neste site e os preços são bem acessíveis.

Dica:

Se tens menos de 26 anos, pede o desconto Go Pass 1 (para menores de 26) ao comprares os bilhetes de comboio. As viagens ficam todas à volta de 6€, excluindo apenas o percurso Bruxelas-Aeroporto, ao qual o desconto não se aplica.

Onde ficar em Gent?

O alojamento em Gent não é super barato mas, para compensar, é de qualidade. Quando lá estive optei pelo Backstay Hostel Ghent mas no Booking encontrarão muitas mais opções (já leram as minhas dicas para encontrar alojamento bom e barato no Booking?).  E já sabes: marca a tua viagem através dos links do blog e, sem gastares nem mais um cêntimo, ajudas o Aonde (não) estou a crescer!

Onde comer em Gent?

Vou ser honesta: o que comi durante a minha estadia em Gent foram coisas cozinhadas por mim ou saladas já feitas do supermercado, mas isto simplesmente porque não costumo viajar com imenso dinheiro. Claro que experimentei alguns dos doces e bebidas das feiras de Natal – que aconselho vivamente -, mas foi apenas isso. O único jantar fora, que aconteceu no âmbito do congresso em que participei (e que motivou toda esta viagem), foi no restaurante Amadeus 1, onde servem bem e a comida é fantástica (mas honestamente não faço ideia de quais são os valores).

O imprescindível:

St. Nikklaaskerk xx Belfort xx St. Baafskathedral xx Duivelsteen xx St. Jacobskerk xx On Huis xx Gravensteen xx Werregarenstraat xx Vooruit

Outros:

Passeio de barco pelo rio Lys


 
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