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Quando partimos para a Isla del Sol, no dia anterior, estávamos longe de imaginar o que iríamos encontrar. Depois de uma noite no lado norte da ilha, embarcámos numa curta viagem de meia hora de barco rumo ao lado sul, onde se encontra a comunidade de Yumani – a maior da ilha.

(+) Dia 1 na Ilha do Sol (lado Norte): Isla del Sol, Bolívia | Onde o tempo parou – Challapampa 

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Ao chegar ao porto, a primeira sensação é de que a povoação é mais pequena que Challapampa. Engano nosso que, por não termos estudado o destino, não sabíamos que tínhamos de subir pela grande escadaria, onde o guerreiro inca dá as boas-vindas a Yumani, para encontrar o centro da comunidade. Ficaríamos a saber, mas apenas horas mais tarde.

Repetindo o que tínhamos feito no lado norte, parámos num dos primeiros alojamentos que encontrámos, bem próximo do porto e com um restaurante simpático. Pagámos, pousámos as mochilas e fomos almoçar. Por aquela hora (cerca do meio dia) ainda não havia água no quarto, algo que não estranhámos tendo em conta a experiência que tínhamos tido no dia anterior. Cansados da viagem, parámos para um almoço longo na esplanada do restaurante do alojamento.

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O sol caminhava a passos largos para o horizonte e a água ainda não tinha chegado ao alojamento. Preocupados, resolvemos perguntar ao dono quando previa que a água chegasse e, enquanto ele nos explicava que não conseguia prever, uma senhora – que supomos ser a mulher – chegou com um ar desapontado e o dinheiro que lhes tínhamos dado umas horas antes na mão, pronto a ser devolvido. Acabaram por nos dizer que o melhor era irmos, já que não era certo que a água chegasse naquele dia.

Do que é básico (mas não garantido)

Pusemos as mochilas às costas com um misto de tristeza e desespero. Tristeza por percebermos que aquilo que tomamos como garantido é a incerteza diária destas gentes. Desespero por não estarmos certos de que iríamos encontrar um sítio para dormir naquela noite. Regressámos ao porto sem saber bem o que fazer. Perguntámos onde poderíamos encontrar um lugar para dormir e um simpático senhor transmitiu-nos que, subindo as escadas, encontraríamos muitos alojamentos. Cansados e com as mochilas, ao olhar para aquelas – aparentemente intermináveis – escadas, tivemos  dificuldade em imaginar que encontraríamos algo por ali, mas não tínhamos outra hipótese a não ser confiar naquelas palavras. Então subimos.

O Lago Titicaca está a cerca de 4000 metros acima do nível do mar, o que faz dele o lago navegável mais alto do mundo. Esta altitude significa também que cada esforço que se faz se sente a dobrar. A subida é longa e, depois de quase 30 minutos a subir, parámos no primeiro sítio em que fomos convidados a ficar. Mais uma vez, a simplicidade era a palavra de ordem: uma cama, alguma água (que não atingia sequer o morno) e uma lâmpada que mal iluminava o quarto – mas que foram mais do que suficientes para uma noite descansada.

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Explorar a comunidade de Yumani

Não há muito para fazer em Yumani. Ainda assim, curiosos com esse «misterioso» centro da maior comunidade da Isla del Sol, que teimava em não aparecer, regressámos às intermináveis escadas (agora já sem o peso das mochilas) e continuámos a subir. Bastaram uns 5 minutos de caminhada para a comunidade de Yumani aparecer. Era, de facto, maior e mais densa que Challapampa, mas com as mesmas casas por terminar, os mesmos caminhos de terra batida, a mesma pobreza.

Por entre as casas, continuámos pelo caminho principal que nos levou até ao ponto mais alto, onde se encontravam ruínas de (mais uma) inacabada casa. A vista da ilha sobre o Titicaca, com os tons quentes do sol de final de tarde, era de uma magnificência que dificilmente consigo descrever.

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Na Ilha do Sol o tempo parou (2)

Na ilha do sol o tempo parou. De manhã, partem barcos em direcção a Copacabana. Vão buscar turistas – mas não só. De lá trazem o básico: água, gás, pão, cereais, legumes, alguma carne, papel e outras tantas coisas que, por cá, tomamos como garantidas. Pela hora de almoço os barcos regressam cheios de turistas e de bens. Mulheres e homens reúnem-se junto aos barcos e os esforços são divididos – é tempo de levar os bens aos seus destinos: os burros e alpacas carregam o maior, mulheres levam as crianças e os homens o que resta. Todos, numa respiração pesada que se ouve à distância, sobem a imensa colina do lado sul da ilha.

E assim se (sobre)vive na Isla del Sol.

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Questões práticas

Chegar e sair da Isla del Sol:

Os barcos para a Isla del Sol saem diariamente de Copacabana em dois horários (10h e 14h). O bilhete custa cerca de 20 bolivianos. Para regressar, do lado norte existem barcos às 8h30, 10h e 13h30 e, do lado sul, às 8h30, 10h30, às 13h30 e às 16h. Os horários podem sofrer alterações pelo que devem confirmar no porto.

Outras questões:

Para além de pouca ou nenhuma rede e nenhuma internet, não vão encontrar multibancos na Isla del Sol. Também não esperem encontrar mercados e contem com os restaurantes a fechar muito cedo, principalmente no lado norte.


 
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