Já partilhei convosco um pouco da minha experiência no Caminho de Santiago (que podem ler aqui). Hoje escrevo para quem está a pensar fazê-lo. Tudo – ou quase tudo – o que precisam de saber: como preparar a viagem, o que levar (e o que não levar!), como se podem preparar fisicamente, enfim, tudo quanto me recorde de vos aconselhar. Fiz esta viagem em 2014 e tive a sorte de conhecer alguém que já tinha feito o Caminho duas ou três vezes – a primeira sozinho, as outras a acompanhar grupos -, pelo que me foram dados todos os conselhos possíveis. Agora passo-os a vocês, esperando que vos sejam úteis.

Como o post estava a ficar muito longo, optei por dividi-lo em duas partes. Esta está mais relacionada com os preparativos e a segunda com algumas questões relativas à própria viagem. A segunda parte, que podem encontrar aqui, foca mais as questões relacionadas com a caminhada! Recordem-se que o percurso que fiz foi o Caminho Francês, que vai desde Saint-Jean-Pied-de-Port até Santigo de Compostela. No entanto, as dicas que vos dou aplicam-se a qualquer um dos percursos.

 

QUANDO IR?

O ideal é que não seja nem numa altura de chuvas, nem de muito calor. Algures entre Abril e Outubro, desde que os problemas que mencionei anteriormente não se verifiquem. Eu fui em Setembro e o tempo estava óptimo para caminhar. Para além deste mês, diria que Maio é uma excelente opção.

QUANTO TEMPO PRECISO?
Tudo depende do quanto vais caminhar por dia e de como o vais fazer (a pé ou de bicicleta). Mas para o Caminho Francês, a pé, conta com cerca de um mês. De bicicleta consta que é metade do tempo, mas honestamente não sei, nunca fiz nem conheço ninguém que o tenha feito. O Caminho Português, com cerca de 400km, normalmente é feito a pé em duas semanas.

TENHO DE FAZER TUDO DE UMA VEZ?
Não. Eu ainda não o terminei – não tinha o mês inteiro de férias – e já conheci muitas pessoas que o fizeram por partes (em duas, três ou até cinco vezes). Vai ao teu ritmo dentro do tempo que tens, porque podes sempre voltar para terminar!

QUANTO DINHEIRO?
O ideal é calculares cerca de 200€/semana – ou seja, pouco menos de 30€/dia. No entanto, tudo depende dos albergues que escolheres, de onde vais fazer as refeições e de todos os extra – por exemplo, há quem opte por pagar o transporte da mochila, ou pagar para ter a roupa lavada, tudo coisas de que vou falar na parte 2 e que implicam um orçamento maior. O valor que te dou é aquele com que podes fazer o percurso sem extras mas à vontade – ou seja, a contar com alguns recuerdos e uma ou outra refeição fora mais “normal”.
 
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
– O Cartão Europeu de Seguro de Doença é algo que deves ter contigo em qualquer viagem à Europa. (Ainda) É gratuito, enviam-te directamente para casa e ficas automaticamente com a possibilidade de ir a qualquer centro de saúde/hospital europeu pagando o mesmo que os residentes do próprio país. Sim, esperemos que não seja necessário, mas não custa nada fazê-lo, certo?
– O Documento de identificação (julgo que despensa justificações).
– Passaporte/Credencial do Peregrino. Convém que o tenhas sempre contigo durante a caminhada, pois é o que te vai dar acesso aos albergues e aos menus de peregrino, entre outras vantagens na entrada em determinadas igrejas e museus. Normalmente custa 2€ e podes encontrá-lo facilmente, em qualquer Oficina do Peregrino (chegando às localidades, pergunta nos albergues para obteres direcções – por norma é fácil de encontrar).

A MOCHILA
Antes de mais há que recordar que o acto de peregrinar associa-se a um espírito de desapego por bens materiais, pelo que deves levar apenas o básico. E a quantidade de coisas a levar é a mesma quer faças uma semana de caminhada, quer faças um mês. A regra crucial, que não podes mesmo quebrar, é esta: não mais do que 10% do teu peso nas tuas costas. O excesso de peso vai desmotivar-te, causar-te tendinites e outro tipo de problemas, para além de muitas dores nas costas. Acredita quando te digo que não podes levar nem mais uma grama do que os tais 10% – falo por experiência própria (não cumpri a regra e arrependi-me solenemente).

PRECISO DE UM GUIA?
Não, de todo. Nem aconselho, porque só te vai fazer peso na mochila (e acredita que tu não queres isso). Eu não levei e safei-me muito bem. Aconselho apenas a que estudes o teu percurso antes de ires, anotes as coisas num caderninho pequeno (e leve!) e sigas viagem. Em todas as localidades há locais onde podes encontrar informações sobre o percurso seguinte e há sempre alguém disponível para te tirar dúvidas. Além do mais, há wi-fi em todos os albergues e o Caminho está super bem indicado! No máximo arranja um que possas utilizar no teu telemóvel e é tudo – mas não te vai fazer falta nenhuma.
 
PREPARAÇÃO
Admito que não fiz muita preparação para o Caminho, no entanto andava no ginásio e a minha resistência física não era propriamente baixíssima. Se não praticas nenhum desporto, o melhor é começares a fazer caminhadas ou corridas algumas vezes por semana. Em alguns fins-de-semana podes fazer trilhos mais longos, basta encontrares algo que se localize numa área próxima à tua, desafiares um grupo de amigos e vão caminhar! Se quiseres mesmo reproduzir a sensação do Caminho, escolhe um trilho com cerca de 20km e enche uma mochila à imagem da que vais levar – é uma excelente forma de perceberes se o peso da mochila é o ideal e de teres uma ideia do que vai ser a tua aventura.
 
QUANTOS QUILÓMETROS POR DIA?
Como já mencionei, tu escolhes o quanto queres andar. No entanto, se o quiseres fazer em um mês, não contes com menos de 27km/dia. Se tiveres mais tempo, é uma questão de gerires os dias e a quantidade de quilómetros – mas tenta não fazer menos de 15km/dia, caso contrário nunca mais o acabas. Tudo vai depender da tua disposição e cansaço. Se o queres fazer todo de uma vez, não será má ideia preveres alguns dias para ficares simplesmente a descansar – um ou dois que sejam. Os albergues por norma deixam-te ficar mais do que uma noite e, caso não deixem, o pior que pode acontecer é teres de sair para te voltares a registar mais tarde.A QUE HORAS DEVO CAMINHAR?
O ideal é começares bem cedo (7h, máximo dos máximos 8h). Não precisas de ser como os franceses que começam ainda o sol não se levantou, mas mal o sol comece a aparecer inicia a tua caminhada – desta forma apanhas o fresco da manhã. Depois é conforme conseguires. Eu cheguei a ter dias em que me levantava tão cedo que fazia tudo antes da hora de almoço! Outros que me duraram o dia inteiro e procurava fazer várias pausas pequenas, de hora em hora, e uma grande para almoço (com sesta incluída!).
 
ONDE DORMIR?
Sem dúvida nos albergues. No caso do Caminho Francês, vais encontrar imensos em todas as localidades, pelo que é só escolheres (conforme o preço, as comodidades ou o conforto). Aconselho invariavelmente os albergues municipais – de 5€ a 10€ a noite – porque considero que são os melhores. No entanto, há sítios onde não os vais encontrar, pelo que é uma questão de veres qual é o melhor para ti. Nos albergues privados convém ligares com alguma antecedência (uma semana/uma semana e meia) a marcar, para não bateres com o nariz na porta ao chegar. Pesquisa albergues no site que te dou no fim deste artigo e contacta os que escolheres. Quanto aos municipais, não há possibilidade de reservar – é por ordem de chegada.
 
ONDE COMER?
Tudo depende de quanto tens para gastar. Eu normalmente tomava o pequeno almoço no albergue. Ia às compras no dia anterior ao final da tarde e comprava o que precisava para o pequeno almoço e caminhada do dia seguinte. Podes parar para almoçar num restaurante mas aconselho-te a fazeres várias refeições leves durante a caminhada, com sandes, fruta e snacks – não há nada pior do que encher a barriga e ter de começar a caminhar logo a seguir. Quanto ao jantar, vais encontrar imensos restaurantes com o “menu peregrino” – e só tens de apresentar a tua credencial de peregrino. É um menu bastante completo, com entrada, prato e sobremesa, que ronda os 9€/12€. No entanto, a maioria dos albergues têm cozinha, pelo que se tiveres paciência podes preparar o teu próprio manjar.
 
SITES ÚTEIS

 

Espero mesmo ter ajudado. Adoro utilizar o blogue para transmitir informações sobre viagens, partilhar questões mais práticas que possam facilitar a vida a outros. Baseio tudo na minha experiência pessoal, no que fiz (e não fiz) e no que faria se repetisse as experiências. Se precisarem de tirar alguma dúvida ou tiverem qualquer questão sobre o Caminho, sintam-se à vontade para me contactar pelo e-mail.Já podem encontrar a segunda parte aqui.

 

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