Descolei de Nova Iorque há cerca de 53 horas. No entretanto passei por três fusos horários diferentes, um par de aviões e vários transportes. Ainda sinto os efeitos do jet lag. Foi fácil adaptar-me lá, mas aqui nem por isso. E a verdade é que ainda não deixei verdadeiramente Manhattan – a minha cabeça ainda está por lá, pelas suas energéticas ruas. Nova Iorque contagiou-me como nenhuma outra cidade que conheço. Está sobrecarregada, sobrelotada, tem um ritmo alucinante ao qual dificilmente nos habituamos em pouco tempo e, no entanto, regressei com a sensação de que terei de voltar.
 
Toda a cidade é um exagero: os prédios, o trânsito, as pessoas, o metro, a publicidade, a oferta – tudo na cidade é em esdrúxulo e nada comparável ao que alguma vez vi. A primeira sensação foi de espanto, de completo assombro. Depois surge a ideia de que é demasiado, de que nunca nos habituaríamos. Não, não houve – de todo – amor à primeira vista. Mas à medida que percorremos as ruas, que vamos conhecendo a cidade, toda a sua diversidade e contrastes, surge a certeza de que a cidade tem muito, muito mais para nos mostrar.

 

 

Certamente já ouviram ou leram em qualquer lado que Nova Iorque é uma cidade que nunca dorme: é a mais pura das verdades e rapidamente me apercebi disso. No dia da chegada, em êxtase por conhecer a cidade e vendo-nos a apenas dois quarteirões da Times Square (que é como quem diz uns cinco minutos a pé), dirigimo-nos com um misto de cansaço e euforia para a famosa praça, que vibrava como se a meio do dia estivéssemos. Eram onze e meia da noite e em Times Square encontrámos milhares de pessoas, luzes, trânsito, música, todo o comércio aberto e uma energia incomparável, como nunca vi em lado algum.

 

Nova Iorque não é comparável com nenhuma cidade europeia que conheça. Garanto: Paris e Londres são sítios calmos a comparar com a metrópole americana. Nunca vi tanta gente por metro quadrado, nunca vi uma cidade tão sobrecarregada com prédios. Para conhecer Downtown temos de olhar constantemente para baixo e para cima, porque a cidade continua janela após janela, até quase tocar o céu.

 

 

 

Nas ruas de Manhattan tudo acontece a mil: os táxis amarelos que pintam constantemente as ruas, as sirenes e buzinas que de quando em vez fazem vibrar tudo por onde passam, as pessoas, as milhares de pessoas pelas quais passamos e com que raras vezes cruzamos o olhar, porque vão sempre atrasadas para algo que devia ter acontecido ontem. E no meio de toda esta loucura que é Nova Iorque, nas poucas pessoas com quem falámos encontrámos sempre uma boa disposição e generosidade que dificilmente alguma vez compreenderei.

 

 

E apesar de ter regressado com a certeza de que tudo na cidade é exagerado, de que tudo é em demasia, de que dificilmente me habituaria a esta energia e velocidade estonteante em que a cidade vive, volto com a certeza de que para conhecer Nova Iorque não basta visitá-la: há que vivê-la. E talvez um dia volte para cumprir essa pequena vontade que ficou. Talvez um dia volte e alugue um apartamento na pacatez de Greenwich Village ou no marcante Harlem. Talvez um dia passe as minhas manhãs pela cidade e as tardes entre os museus e o Central Park. Talvez, um dia, venha a conhecer verdadeiramente Nova Iorque – talvez.

 


 
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