Railay Beach é uma pequena península na província de Krabi, muito procurada pela sua extraordinária praia e por ser bastante económica. Foram precisamente estas as razões que nos levaram até lá: procurávamos um local que não estivesse a transbordar de turistas (como as ilhas Phi Phi), mas que não rebentasse com o nosso orçamento. Passámos 4 dias aqui (vejam o roteiro completo pela Tailândia). O objectivo era fazer o mínimo possível, o que há muito não fazíamos em férias: parar, descansar. E foi exactamente o que aconteceu.

Chegar
Chegar a Railay Beach não é complicado, ainda que, no nosso caso, tenha saído um pouco ao lado. Passo a explicar. Chegámos a Baguecoque (aeroporto Suvarnabhumi/BKK), vindos do Dubai, mais de três horas depois do previsto. Mal soubemos que o avião da Emirates ia atrasar, percebemos que perderíamos o voo seguinte, que nos levaria a Krabi. Depois de tentarmos contactar (sem sucesso) a Air Asia, que faria a ligação, lá aceitámos o facto e fizemos o que podíamos fazer: esperar.
Tendo chegado ao aeroporto de Suvarnabhumi (BKK), que recebe essencialmente os voos internacionais, apanhámos o transfer (shuttle bus) para o Don Mueang, aeroporto que recebe os voos internos. O transfer é gratuito para quem tem a reserva do avião e apanha-se na porta 3 do 2º andar. Como a viagem demorou cerca de uma hora, chegámos depois do voo partir. A Air Asia lá nos colocou num novo voo que, por sua vez, só saía ao final da tarde. Mais 5 horas no aeroporto à espera do próximo voo.
Aterrámos em Don Mueang pelas 20h e apanhámos um autocarro que nos levou directamente ao local onde se encontram os barcos para Railay Beach. O guiché onde se compram os bilhetes está à saída da imigração, à esquerda, e tem uma imagem de um autocarro branco com letras azuis (que diz Airport Shuttle Bus). Pagámos 150 bahts por pessoa até ao pier de Ao Nang, onde chegámos cerca de uma hora depois.
Quando chegámos aos barcos já passava das 21h (se o voo do Dubai não se tivesse atrasado, teríamos chegado pelas 15h!). Os barcos fazem a ligação Ao Nang a Railay Beach até tarde (pelo que sei, até à meia noite), mas os preços mudam drasticamente: até às 18h paga-se cerca de 100 bahts (cerca de 2,60€) por pessoa; a partir das 18h, há que pagar 1500 bahts (cerca de 40€!) para ir até Railay Beach. Se tiverem a sorte de conseguir alguém para partilhar o longtail boat, óptimo. Se não, têm de suportar o custo por completo. Como devem imaginar, pelas 21h não há muita gente a querer ir até Railay Beach. Lá teve de ser.
Pegámos nas mochilas, puxámos as calças para cima (os longtail boats nunca vêm até à margem portanto esperem ficar molhados até aos joelhos ou até à cintura sempre que quiserem entrar num) e lá embarcámos para uma viagem de cerca de 15 minutos pelo mar Andaman, em plena noite, percebendo pouco daquilo que nos rodeava.



Ficar
Railay Beach, apesar de ser essencialmente um destino de praia, tem muito para oferecer. A península de Railay é pequena. Para que tenham uma noção, o percurso que une Railay West e Railay East faz-se em cerca de 10 minutos a pé. Em qualquer um dos lados encontram um ambiente bastante calmo e familiar, sem festas barulhentas ou algo semelhante – outra das razões que nos levou até Railay.
Railay West é a zona de praia por excelência. Além desta, existe a conhecida praia Phra Nang, onde se encontra a Phra Nang Cave (ou Princess Cave), lugar onde os pescadores deixam oferendas simbólicas, em forma de falo (os amuletos “palad khik”), à deusa Shiva.


Mas há mais para fazer além de não fazer nada:
- Subir até ao Railay Viewpoint e à Lagoa. Vão encontrar o início deste percurso durante o caminho entre Railay East e Phra Nang. Se o fizerem, não se esqueçam que o melhor momento para fotografias é quando a maré está cheia. E tenham em atenção: são subidas e descidas a pique, pelo que não é um percurso simples.
- Praticar escalada (ou ter uma primeira experiência). Não o fizemos porque não adoramos alturas nem temos especial atracção por este desporto. Mas Railay é conhecida como um dos melhores lugares para praticar escalada e é fácil perceber porquê, já que se encontram enormes penhascos e paredões rochosos por todo o lado.
- Em Railay East podem também experimentar a mítica thai massage. Tivemos a nossa experiência e, admito, não gostei nada. A massagem tailandesa tem como objectivo aliviar dores locais e estimular o funcionamento dos nossos órgãos através da aplicação de (muita) pressão em pontos específicos do corpo. Pode ter sido da falta de experiência da minha massagista (o meu companheiro de aventuras, por exemplo, adorou e ficou bastante relaxado), mas a verdade é que saí com uma dor num dos lados do pescoço que demorou dias até desaparecer.
- Fazer as tours pelas ilhas junto a Krabi. As opções mais conhecidas passam por Koh Poda, Koh Gai, Koh Tub, Koh Mor, Koh Hong, ou, claro, pelas Koh Phi Phi. Como não queríamos passar um dia inteiro a passear com um grupo que desconhecíamos e a apanhar todos os turistas que, partindo de diferentes locais, fazem exactamente o mesmo percurso, optámos por alugar um longtail boat até Koh Poda e fazer snorkeling em Koh Gai, apenas os dois – o relato fica para um próximo post.
- Encontrar os macacos que andam por Railay. Mas com cuidado: se tiverem comida na mão, podem ter a certeza que eles vão roubá-la!
- Ver o glorioso pôr-do-sol em Railay West. No fim da tarde a praia fica repleta de gente que se senta apenas para assistir ao pôr-do-sol e o cenário é, sem dúvida, merecedor de tamanha assistência.






Comer
Os restaurantes em Railay concentram-se na Walking Street (que faz a ligação dos dois lados) e em Railay East. Experimentámos três sítios diferentes mas rapidamente nos decidimos a fixar num: o Mangrove Restaurant. É um restaurante familiar, que serve pratos deliciosamente preparados e muito económicos. Aqui, uma prato bem composto do mítico Pad Thai e uma garrafa de água de 1,5l custam apenas 80 bahts (cerca de 2€). Não tivemos qualquer problema com a comida, que era sempre saborosa, e éramos sempre recebidos com um sorriso rasgado, pelo que acabou por ser a nossa “cantina” durante a estadia em Railay Beach.






Dormir
O alojamento em Railay Beach é relativamente económico, ainda que a oferta seja reduzida. Uma noite em quarto duplo pode custar entre 20-30€. Como marcámos o alojamento muito em cima do momento (tal como, aliás, toda a viagem) restavam poucos sítios a preços acessíveis. Ficámos no Railay Phutawan Resort, no quarto mais simples. Não é excelente (se pudesse, teria escolhido outro), mas também não é mau. A localização é pouco importante em Railay já que, como vos disse, é tudo bastante perto. Mas certamente há sítios que, pelo mesmo preço, oferecem melhores condições. Vejam mais alojamentos em Railay Beach e não se esqueçam: reservem através dos links do blog e, sem pagar nem mais um cêntimo, apoiam o Aonde (não) estou.



Voltar?
Railay Beach tem quatro grandes vantagens: uma excelente praia, económica, conveniente e sossegada. Mas não vos vou mentir: não é exactamente o que esperava encontrar. A quantidade de longtail boats a chegar e sair de Railay West torna-se, em alguns momentos do dia, verdadeiramente incómoda. Tenho pena que não tomem a decisão de impedir todos os barcos de alcançar Railay West e os passem simplesmente para o outro lado – a praia passaria a ser perfeita. Da forma como está, não só se torna desagradável como vai retirando espaço de praia, que fica “reservado” aos barcos. Railay é um sítio com gente e naturalmente não esperava encontrar uma praia paradisíaca como encontrei em Koh Poda. Mas nem sequer foram as pessoas ou o seu comportamento (como mencionei, é um sítio calmo e familiar) que me incomodou – foi a poluição sonora dos famosos barcos. Dito isto, não sei se voltaria. A tendência destes sítios é, infelizmente, piorarem. No caso de Railay, era fácil resolver, concentrando os barcos em Railay East, mas não creio que o venham a fazer.
Concluindo: se quiserem uma praia espectacular, económica, que não esteja sobrelotada e não se incomodarem com este tipo de barulhos, Railay Beach é o vosso lugar. Se pretenderem algo bastante calmo e paradisíaco, terão de rumar a outros lugares – consta que Koh Ngai e Koh Kut são sítios magníficos.

Questões práticas
Multibancos:
Há pelo menos uma ATM na Walking Street que, pela minha experiência, tem sempre dinheiro.
Sair de Railay Beach:
Para regressar a Ao Nang, basta que se dirijam, com tempo, à banquinha que está em Railay West, à direita de quem sai da Walking Street. Pedem um bilhete para Ao Nang (100 bahts) e aguardam que o longtail boat fique cheio – são necessárias 8 pessoas para preencher um barco.



Um dos paraísos mais incríveis e desertos da Tailândia é Koh Ngai. Estive lá em 2014 e é literalmente aquela ilha perdida no meio do nada com 3 pessoas na praia 🙂 Também já estive em Koh Tao e Samui em 2016, mas sem dúvida que das 3 Koh Ngai é a mais deserta <3
Boa sugestão Vânia, obrigada! Vou acrescentar 😉
Que lugar mais lindo!! Tenho visto várias fotos desta praia mas nada como ver ao vivo não é mesmo!?
Preciso voltar à Tailândia com mais tempo p/ explorar mais!
Também eu, ficou tanto por conhecer!…
Cada fotografia que vejo da Tailândia, me desperta um desejo imenso de conhecer esse paraíso.
O inacreditável é que é mesmo como nas fotos, haha!
Que legal este post, Railay Beach parece linda demais, infelizmente a quantidade de longtail boats é um grande problema, e como você mesmo disse, a tendência destes lugares é, infelizmente, piorarem. Adoro seu blog!
Espero estar enganada, mas normalmente é mesmo isso que acontece…
Na Tailândia fui muito feliz bom artigo parabens
Obrigada Vítor!
A Tailândia é, sem dúvida, uma perdição. Poucos destinos se lhe comparam em “paraísos”…
É verdade, Rui!
Esta é a minha praia preferida na Tailândia. Já estive duas vezes e volto sempre. 😀
A sério?! É bom saber que não escolhi mal! 😉
Quantos belos cenários! Honestamente?! Para mim “não fazer nada” inserida nestes maravilhosos contextos seria muito suficiente e agradável! rsrsrs
Haha, de facto a paisagem e ambiente facilitam muito o «não fazer nada» :p
Muitos parabéns pela viagem e muito obrigado por tão fabulosa partilha! A Tailândia é mesmo um país lindo. Tenho mesmo de conhecer e, quando tiver oportunidade, de certo que me lembrarei deste artigo super completo. Já ficou guardado!
Obrigada Patrícia!
Esse atraso do voo foi chato, de facto, mas chegaram ao destino e isso é que importa 😀 Railay Beach parece um lugar incrível… Apesar de eu não ser muito fã de destinos de praia, essas praias devem ser um lugar extraordinário para se ver um nascer ou pôr-do-sol (como, aliás, mostram as tuas fotografias). É pena a situação dos barcos, eu acho que os sons podem arruinar um espaço tão bonito como esse.
Também não sou muito dada a destinos de praias, mas a paragem soube bem (apesar de todos os inconvenientes)!
Adorei saber que é um destino econômico, porque lindo ele parece mesmo né? Nossa, estou aqui de boca aberta com estas fotos e sonhando com esta água. Amei o post.
É bastante em conta mesmo, Michela. Obrigada 😉
Eu gostei bastante de visitar a Tailândia! Quando estava a planear a viagem lembro-me bem da da dificuldade que foi escolher os locais a ir. Não estive em Railay…. talvez da próxima vez.
É mesmo. Particularmente no que toca a ilhas/praias, é complicado escolher!