Faltavam poucos minutos para as 5 da manhã quando aterrámos no aeroporto de Lima, no Peru. Era a primeira vez que púnhamos os pés na América do Sul e o entusiasmo e curiosidade quase superaram o cansaço naqueles primeiros momentos. Levei vários meses a sonhar e a preparar esta viagem que agora, finalmente, começava.
Apesar da hora, Lima, a capital e maior cidade do Peru, com os seus quase 10 milhões de habitantes, já vibrava. Apanhámos um taxi até ao centro histórico da cidade, zona onde ficaríamos alojados, e nada melhor para nos fazer acordar. O trânsito em Lima é caótico. Entre uma imensidão de carros, táxis e carrinhas de transporte colectivo (mais conhecidos como combis), todos eles em mudanças de vias constantes, qual linha contínua (!), algumas vezes quase batendo, muitas vezes a ficar a centímetros de distância do carro ao lado e sempre, mas sempre, a buzinar – nada como o trânsito em Lima em hora de ponta para nos fazer despertar do jet lag.
Fomos largados na Plaza de Armas pouco antes das 7h. O que aconteceu nos momentos seguintes quase se apagou da minha memória, tal era o cansaço. Sei que caminhámos até ao alojamento e que pelas 10h já estava a dormir. Naquele primeiro dia, depois de 12 horas num avião e com uma diferença horária de 6 horas, o jet lag venceu-me pelo cansaço e pouco se fez além de umas caminhadas para reconhecer a zona onde estávamos alojados e para comprar algumas coisas para comer.

O dia seguinte começou cedo e com um céu sem nuvens, algo raro nesta cidade de Lima onde, apesar de raras vezes chover, o céu nublado é quase constante. Lima organiza-se em diferentes distritos (43 ao todo!), dos quais Lima (onde se encontra o Centro Histórico), Miraflores (onde encontram o Parque Kennedy e o sítio arqueológico de Huaca Pucclana), San Isidro (o centro financeiro de Lima) e Barranco (o distrito das artes onde encontram numerosos restaurantes, bares e a conhecida Puente de los Suspiros) são os mais conhecidos entre quem visita a cidade.
Numa primeira impressão, Lima não é uma cidade que se possa apelidar de agradável, muito devido à confusão que a caracteriza. Mas passadas algumas horas na cidade começamos a habituar-nos ao ambiente e a a desvendar os seus encantos.



A caminhada pelo Centro Histórico começou na monumental Plaza de San Martín, um dos locais mais importantes da cidade classificado como Património da Humanidade pela UNESCO, foi construída para marcar o centenário da independência do Peru. Dali até à Plaza de Armas é ume pequena caminhada pela Jiron de la Union, uma vibrante rua pedonal dedicada ao comércio. Ao chegar à Plaza de Armas, alguns edifícios impõem-se: a Catedral de Lima, a maior do país; o Palacio del Gobierno, onde todos os dias, ao meio dia, a mudança de guarda proporciona um espectáculo em pleno centro da cidade; e o Palácio Arzobispal de Lima.



Dois tipos de arquitectura, neocolonial e barroca, entrelaçam-se nas ruas do Centro Histórico de Lima e formam um traçado de características muito próprias. Para quem, como eu, aprecia arquitectura, um passeio pelas ruas do centro da capital peruana é uma experiência que enche as medidas. Aproveitem para parar na Casa de la Literatura Peruana, que se dedica a valorizar e divulgar os escritores nacionais, com destaque para Maio Vargas Llosa. Daqui à Igreja e Mosteiro de São Francisco são apenas uns passos. Vale a pena uma visita ao interior da igreja (gratuito) e às catacumbas, cuja entrada custa apenas 10 soles (não chega a 3€).


Uma caminhada pela Av. Abancay leva-nos até ao Bairro Chino (que é como quem diz: chinatown) de Lima, onde encontram um comércio vivo e muito para comer, e recorda-nos da confusão que é o trânsito da cidade. Resolvemos parar um pouco por lá e perceber como tudo aquilo funcionava. Os combi, umas carrinhas que são principal tipo de transporte público em Lima e que ostentam várias cores e letreiros com as diversas paragens, têm uma organização no mínimo curiosa: todas elas têm uma pessoa dedicada a anunciar a chegada e destinos da combi, controlar as entradas e saídas e cobrar os bilhetes. Fora isto, para quem observa e não está habituado, parecem uma desorganização total. Mas eles parecem manter o controlo na perfeição. Estas, a par dos autocarros, dos taxis e do metropolitano, compõem o rico sistema de transportes públicos da capital do Peru, que vos levará onde quer que necessitem de ir.





A alguns quilómetros do Centro Histórico está o boémio e colorido distrito de Barranco, onde o entretenimento, dos museus como o MATE (Mario Testino Museum), aos restaurantes e bares pela noite dentro, compõem uma zona sempre viva. E já que ali estamos, vale a pena um passeio pelo Malecon que, contrariamente a outros, como o conhecido Malecon de Havana, estende-se ao longo de um planalto, bem acima do mar.


Além destes e havendo tempo, vale a pena uma visita ao sítio arqueológico de Caral, a quase 200 km de Lima, uma descoberta bem recente mas que já se tornou dos mais importantes sítios arqueológicos do Peru, valendo-lhe a classificação como Património Mundial da UNESCO. Localizado num planalto deserto junto ao vale do rio Supe, Caral representa a primeira civilização na América, que nasceu há quase 5000 anos atrás, e ostenta uma complexidade e desenvolvimento apenas equiparáveis ao que acontecia no Próximo Oriente Antigo.
Depois de três dias agitados dias em Lima, partimos num final de tarde para Cusco, essa encantadora cidade entre montanhas.





Caótica e vibrante bem define Lima!
O trânsito é mesmo um caos, mas a cidade tem seu charme. E uma das melhores gastronomias da América do Sul, na minha opinião.
É verdade Patrícia!
Lima é mesmo uma cidade muito diferente, cheia de detalhes e lugares para visitar. O Peru é todo essa cultura única!
É mesmo, e reflecte-se nas pessoas que são, pela minha experiência, extremamente amigáveis!
Apesar de brasileira, ainda não visitei o Peru. Lima está em minha lista faz tempo, mas por uma razão ou outra ainda não aconteceu esta visita, mas um dia ainda verei tudo isso ai de perto, viverei esta energia e tecerei minhas próprias considerações. Até lá vou viajando e construindo memórias primárias em textos como esse! 🙂
Por vezes os sítios mais próximos são aqueles que vamos adiando (eu faço o mesmo)! Mas o Peru é deslumbrante e vale uma grande viagem, maior até do que a que eu fiz!
Esta na minha lista: Lima, Cusco e Machu Pitchu. Adorei conhecer um pouco mais de Lima através do teu post. Lindas fotos, lindos relatos. Ah, eu também fico muito curiosa quando chego em algum lugar e nem consigo descansar, hehehe. Já quero logo sair para desvendar…
É verdade, mas por vezes o jet lag leva a melhor!
Estou a deixar a América do Sul não sei muito bem para quando. Acho que estava a ver se arranjava tempo para a percorrer com calma, durante alguns meses. Enquanto não faço isso, ando a passear pelas tuas palavras 🙂 Lima parece uma cidade bem interessante, cheia de vida. Um pouco caótica, mas isso também tem o seu encanto, não é?
Isso seria o ideal mesmo. Ainda guardo o desejo de fazer isso, começar no México e descer até à Patagónia sem prazo. O trabalho para já não permite, mas nunca se sabe o que a vida nos reserva 🙂 E quanto a Lima é isso mesmo, primeiro estranha-se e depois entranha-se – e deixa saudades!
lima tem vários lugares bonitinhos e bem modernos! nos ficamos 2 dias e gostamos muito do bairro barranco
É verdade, fiquei surpreendida pela positiva porque admito que não estava à espera de conhecer uma cidade com tanto lugar diferente (e todos cheios de carácter)!